terça-feira, julho 12, 2011
Noturno amor, segue a eternidade, assume as estrelas. Estou amarrado à tua garganta. Um silencioso grito de dor ecoa e os meus lábios rompe a areia. Quero nascer em todas as suas praias e decifrar todos os seus segredos respirados. Um breve momento, uma leve sensação de prazer. Um grave pensamento constelado se apaga, impedindo que eu veja seus olhos. Restou apenas as brasas e o fogo cessou. Lembrei-me da minha infância percorrendo as estações entre os trilhos. Vivi todas estações; - Primavera, verão, outono e inverno.O amor, sem nada mais do vazio emerge e trás consigo a cólera e golpea o tempo. Infinito e interminável tempo que assombra as ruas noturnas e vazias. Bem vestido de negro seduz e faminto devora cada pedaço do meu corpo. Saciado o dia amanhece. Faz frio, amo o gelado vento que uiva, que arrepia minha pele. Noturno amor quando você voltar vou estar na estação, nas fases da lua e nas mares altas do mar que nos afoga. (Eduardo Bruss)
terça-feira, setembro 14, 2010

Então surgiu o inimaginável absoluto. O rosto suado e a voz ofegante, com um breve e silencioso sorriso me beijou. Beijo tenso de gosto ocre e um perfume gardênia surgiu do seu cabelo sedoso. Sem nada dizer me pegou pela mão. Breve silêncio eterno, fez minhas pernas tremerem e temeroso atravessei a rua. Não importava onde me levaria, desde que fosse para efêmera eternidade que nos condena. Uma prisão perpétua com dias contatos. Não queria mais um orgasmo e sim uma longa gestação. Queria engravidar do seu amor mesmo que bandido e despir seus pensamentos enquanto fumava seu cigarro mentolado. A ilusão às vezes se torna tão real! Não sonhava mais com castelos, queria apenas uma cama e o seu corpo e um THE END que não fosse a morte desse nosso amor bandido e verdadeiro amor... bandido. (Eduardo Bruss)
quinta-feira, setembro 09, 2010

NOITE me inspira e me deixa devasso, tenho temores passageiros e uma coragem sublime. Todas às noites espero pelo DIA. Certas NOITES contemplo a LUA, muitas outras espero, às vezes choro por alegria ou por tristeza. Não consigo ver DEUS na NOITE, acho que Ele se recolhe, me deixando sozinho e com medo. Sinto medo do silêncio, do cão ladrando e de passos que ouço na calçada. (Eduardo Bruss)
segunda-feira, setembro 06, 2010

Esse momento em que vivo é tão somente meu que quase ninguém entende esse meu egoísmo. Tenho dividido tantos segredos guardados comigo mesmo. Sem deixar espaço para mais ninguém. Tenho sorrido e chorado. Lamentando e almejando, tenho me despido de valores impensáveis. Hoje busco a paz como se fosse uma criança e nessa breve paz carrego um turbilhão de pensamentos aflorados pelo sonho. Não leio mais jornais, revistas ou qualquer outro tipo de notícias. Quero me tornar ignorante e ter um mundo melhor. Quero não mais saber tudo que sei, a minha inteligência destruiu meus sonhos. Vivi até hoje matematicamente correto, tudo calculado e comedido numa sincronia velada. Hoje sou apenas uma palavra; -EU. Enquanto fui NÓS, estive sempre sozinho. Hoje sei que você me enxerga, mas isso não basta, eu quero que você me veja e não me toque e sinta apenas a impressão do meu cheiro, do meu gosto. Não sou mais uma caixa de presente embrulhada com laço. Sou o conteúdo, sou o presente que está dentro dessa caixa que muitas vezes desagrada e muitas outras surpeende. (Eduardo Bruss)
quarta-feira, agosto 18, 2010

Não vou morrer. Quero ser arrastado pela chuva, quero dormir entre as pálpebras em cada estado da minha alegria. Diante do mar que conheço deixo meus velhos livros mordidos pelo ódio. Quero estar na vida com os pobres, como uma roupa que me espera. Renasci muitas vezes, não tenho parcela no céu e nem um lugar no inferno. Vivo no mundo da Lua, com estrelas à minha altura e uma realidade desenhada. Quando me apaixono, sinto gosto de maça na boca e um leve amargo no estômago. Não vou morrer. Quero ser arrastado pelo vento quero falar com a minha mudez em cada estado da minha tristeza. Diante do abismo que conheço deixo meus sonhos ceifados pelo medo. (Eduardo Bruss)
quinta-feira, agosto 12, 2010

Nasce a cada minuto uma bandeira, hasteada a meio mastro, em sinal de luto do afeto morto.
Haraquiri;
Assim rasguei meu ventre e dele nasceu o ódio.
Todo sangue escorrido lavou minha alma e meu corpo adormeceu.
O fato de ser jovem me trouxe a esperança.
O ódio cessou, a tempestade cessou e um cheiro de terra molhada deixou minha boca cheia d'água, com vontade de comer tijolo.
Não sou pagão, fui batizado ao vento, onde a brisa me amadrinhou.
Hoje tenho fé na natureza, mesmo devastada como meu íntimo.
Eu sou natureza morta, pintada por mãos cansadas e trêmulas.
Saiba que todos que me mataram, que pagarão com amor, essa cruel sentença perpétua.
(Eduardo Bruss)
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