quinta-feira, outubro 06, 2011

Já fiz tanto sexo explícito com palavras, algumas que feriram, outras que acalentaram e muitas outras que foram anônimas....cada uma com um tipo de orgasmo diferente...por isso que adoro gozar a vida.....mesmo que seja numa breve e redundante ejaculação precoce....(Eduardo Bruss)

segunda-feira, agosto 22, 2011

Grande ferida, manancial quente cicatrizando minha dor, numa arca de cólera acesa. Não vai ser a última onda a me afogar, me afogarei num mar calmo feito de lágrimas salgadas. Não esquecerei a hostilidade das suas costas largas voltada para mim no nosso naufrágio, essa será a honra sagrada do meu novo amanhecer. Recordarei dos sonhos que trazia despedaçados pelo tempo em sua poesias nuas sobre a mesa. Hoje vejo uma nudez muda, castigada pelo frio das suas ácidas palavras, corroendo não a mim mas sua mente fértil de banalidades. Não estou mais sozinho, tenho a música que sopra como vento nos meus ouvidos. Nem estou mais cego, vejo bem dentro dos seus olhos um deserto que o matará de sede. Escute o vento, sinta uma centelha de amor brotar da sua alma. Você é meu corpo e eu sua alma. (Eduardo Bruss)

terça-feira, agosto 16, 2011

Nada mudou, os móveis no mesmo lugar empoeirados pelo tempo, deixa claro que nada mudou. Uma vertigem me tomou de rosa, mar sem rosas, mar morto. Quem fui e quem eu sou? Eu não sou mais música, nem poemas de trovas. Sou a prova, sou a cova. Nada mudou, mas eu não sou mais o mesmo. Sou ternura e amargura, sou a solidão a dois. Sua morte foi um silêncio que dividiu a minha vida em dois.  Hoje o ar vazio já não chora e nem implora, ele susteve a mão que caiu de repente da altura do tempo, espalhando sílabas embaralhadas e indecifráveis. Nada mudou, mas minha permanência é de pedra e de palavras, minhas pálpebras se fecharam cheias de ásperos muros, povoadas de castelos. (Eduaro Bruss)

quarta-feira, julho 13, 2011

Arrumei a comida, mas minha cara não agradou. Então perdi o sentido e acordei no chão nu, com um lençol molhado sobre meu corpo. Não rezei ao meu Santo Homem e nem o beijei com paixão. Apenas senti seu cheiro de recém chegado do trabalho. E, com o lençol molhado que cobria meu corpo, limpei sua face. Seu suor ficou marcado no tecido como as marcas do tempo, com os dias, meses e anos vividos sem união.
O que tínhamos em comum era o sexo, não feito, mas sim postado na identidade. Idades distintas, sentimentos velados. Com muita dificuldade me ergui e com muita facilidade ergui meu copo e brindei por um dia a menos da minha vida. Reuni todas as minhas dores e não chorei, olhei ao lado e vi seu corpo estendido, olhando fixo para o nada. Eu estava invisível naquela hora e todas às minhas palavras foram dirigidas ao vento, então percebi a chuva que molhava a cortina. Fechei a janela, fechei a porta e deitado ao seu lado fechei meus olhos. (Eduardo Bruss)

terça-feira, julho 12, 2011

Por que falar da felicidade, se a felicidade me rodeia? Eu vivo a dor na minha escrita, gosto de dramas e tramas. Gesticulo o sofrimento de forma visceral. Com lágrimas faço filmes, com solidão uma novela e com a vida deixo a função de guiar meu rumo. (Eduardo Bruss)
Por um fio a vida passou, deixando sua marca no meu pescoço, como teus lábios unidos pela morte. O mais puro silêncio sepultado. E, amarrado por suas serpentes, dormia na solidão do meu palácio numa noite estabelecida salpicada pelo martírio. E então me fiz soldado, marchando por pesadelos de Évora, atravessei as dores que se enredaram em mim. (Eduardo Bruss)
Noturno amor, segue a eternidade, assume as estrelas. Estou amarrado à tua garganta. Um silencioso grito de dor ecoa e os meus lábios rompe a areia. Quero nascer em todas as suas praias e decifrar todos os seus segredos respirados. Um breve momento, uma leve sensação de prazer. Um grave pensamento constelado se apaga, impedindo que eu veja seus olhos. Restou apenas as brasas e o fogo cessou. Lembrei-me da minha infância percorrendo as estações entre os trilhos. Vivi todas estações; - Primavera, verão, outono e inverno.O amor, sem nada mais do vazio emerge e trás consigo a cólera e golpea o tempo. Infinito e interminável tempo que assombra as ruas noturnas e vazias. Bem vestido de negro seduz e faminto devora cada pedaço do meu corpo. Saciado o dia amanhece. Faz frio, amo o gelado vento que uiva, que arrepia minha pele. Noturno amor quando você voltar vou estar na estação, nas fases da lua e nas mares altas do mar que nos afoga. (Eduardo Bruss)